O passado e o futuro do varejo

Muitas vezes é preciso conhecer o passado para compreender o futuro e de que forma a história (não tão distante), nos trouxe até aqui.

Na história do varejo, primeiro veio o toma lá, dá cá...começamos a produzir mais do que podíamos consumir e ao invés de descartar os produtos excedentes, eles viraram moeda de troca por produtos diferentes e igualmente necessários à sobrevivência. Era o começo do comércio, uma atividade civilizada, que exigiu comunicação e entendimento entre as partes, valorização de bens de troca e dando início a satisfação e ao desejo pela posse desses bens.

Não demorou e surgiram as moedas e os bancos, iniciando o desenvolvimento do processo de distribuição e abastecimento das comunidades. Por volta de 1700, o abastecimento nas pequenas cidades se dava por um tipo de estabelecimento comercial, denominado Loja Geral, o “general store”. Lá, era possível encontrar desde alimentos e roupas até implementos agrícolas.

Com o crescimento das comunidades, houve uma adequação do comércio incorporando novas formas de atendimento à “clientela”. Tinha início aí o processo de especialização e segmentação. Surgia então, a “grocery store”, um modelo de loja dedicada apenas à venda de alimentos, semelhante à mercearia ou armazém que conhecemos hoje. Normalmente comercializados a granel, os produtos atendiam às necessidades alimentares dos habitantes e utilizava o balcão para separar o cliente do dono e das mercadorias. Os produtos independiam de marcas, o consumidor pedia por óleo, farinha e açúcar por exemplo e o comerciante oferecia o que tinha a disposição. Não existia a “escolha” por parte do consumidor.

Aí veio a Revolução Industrial (a partir do século XIX), com o crescimento das cidades e maior oferta de produtos, iniciando a necessidade de diferenciação das lojas, para ampliar a disputa pela atenção do consumidor.

Em 1850, surgiu em Paris a primeira loja de departamentos, a Bon Marchè (foto abaixo), pioneira na técnica de agrupamento dos produtos em categorias.

Em 1912, ou seja, há pouco mais de 100 anos, o que em termos históricos foi ontem, os Estados Unidos inauguraram a primeira loja do mundo com atendimento por auto-serviço, o “cash and carry” ou “pague e leve”. Com preços predeterminados, a técnica de vendas permitiu ao consumidor escolher os produtos e levá-los até o caixa, sem a intervenção de qualquer funcionário ou do dono do estabelecimento, uma revolução para o varejo tradicional. Acima de tudo, os produtos passaram a ser distinguidos entre si pelas marcas de seus fabricantes, dando início à estratégia das marcas comerciais e a necessidade de se trabalhar com estratégias mercadológicas mais claras o que gerou como consequência, um maior empoderamento do consumidor e suas escolhas.

Mas, ainda demorou mais de uma década e meia até a fundação do primeiro supermercado. Aberto em 1930 (o King Kullen) instalado em Long Island, New York, apresentou características que prevalecem até hoje. Esse formato, reduziu drasticamente os preços e as margens de ganho sobre as mercadorias e o conceito se difundiu rapidamente em toda a América chegando a mais de oito mil lojas em 1941. No Brasil, foi apenas em 1953 que o supermercado como conhecemos hoje finalmente tornou-se uma realidade.

Outra modalidade comercial de grande peso a aparecer nos Estados Unidos vinha suprir a emergência de pequenas compras por parte dos consumidores. Localizadas em bairros, e combinando as características de auto-serviço com a pequena loja, surge o conceito de “convenience store”, ou loja de conveniência, que voltou a ser muito valorizada no mercado atual.

Aí veio a tecnologia e o desejo de comodidade dos consumidores que fizeram do comércio eletrônico, o centro das atenções de varejistas, indústrias e profissionais do mercado.

Até ontem achávamos que o e-commerce seria o futuro e tudo o que fizéssemos seria online, mas a diversidade de estruturas, formatos de lojas, canais e o desejo dos consumidores por experiência de compra o tornaram multicanal, e de multicanal o consumidor se transformou em omnichannel (conceito para as estratégias de integração de canais que oferecem uma experiência on e offline para o consumidor ou shopper.)

E nessa necessidade de convergência entre o on e off, e na difícil missão de estar aonde o shopper está (sendo ele onipresente e conectado a diversos tipos de mídia em tempo integral), entender o consumidor e o shopper nunca na história foi tão importante.

Esse assunto de tão complexo e atual, merece um post só para ele não é? Continue acompanhando no blog.

#varejo #omnichannel #conveniência #comércioeletrônico #autoserviço #especialização #segmentação