Os Hábitos que ajudaram Phelps a quebrar um recorde de 2 mil anos


Aos 31 anos, Michael Phelps acumulou uma coleção de medalhas, (chegou a 28 medalhas olímpicas: 23 ouros, 3 pratas e 2 bronzes), feito de fazer inveja a qualquer mortal. Como se não bastasse o nadador quebrou durante as Olimpíadas do Rio 2016 um recorde olímpico de mais de 2 mil anos. Isso mesmo, ao vencer sua 13ª medalha de ouro em competições olímpicas individuais, o americano superou Leônidas de Rodes, um dos mais famosos atletas olímpicos da Antiguidade. Leônidas competiu nos jogos de 164 a.C. e conquistou a coroa de louros em três corridas - o estádio (cerca de 180 metros), o diaulo (cerca do dobro do estádio) e na corrida hoplitódromo, na qual os participantes tinham que usar proteção nas pernas, elmo e escudo. O recorde de Leônidas durou cerca de 2.160 anos, atravessando milênios, guerras e mudanças, isso, até a chegada de Michael Phelps.

Algumas provas das Olimpíadas da Antiguidade, os atletas gregos competiam levando escudos, elmos e armaduras.

Phelps, conta com um biótipo perfeito para a natação, mas não foi o biótipo que o levou a iniciar o esporte (na verdade Phelps começou a nadar aos 7 anos, após ser diagnosticado com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Assim como, não é somente o seu biótipo, que faz de Phelps, o atleta do mais laureado da história. Grande parte do resultado se deve a um programa de treinamento dedicado a incluir hábitos muito precisos a sua vida. Relaxamento, alongamento, largada, braçadas e respiração são técnicas que Phelps tinha de executar conscientemente. O treinamento transformou-as em hábitos tão automáticos que as gravações de imagens de várias provas disputadas por Phelps parecem replays da mesma competição. Alguns desses hábitos estão descritos no Livro “O Poder do Hábito” do jornalista e escritor americano Charles Duhigg. Para o autor, “alguns hábitos têm o poder de iniciar uma reação em cadeia, mudando outros hábitos”. Ou seja, alguns hábitos podem influenciar o modo como as pessoas trabalham, comem, se divertem, vivem, gastam, se comunicam, praticam esportes, entre outras tantas coisas. Segundo o autor, este é um processo que, ao longo do tempo, transforma tudo. Segundo esta teoria, o sucesso não depende de acertar cada mínimo detalhe, mas, em vez disso, baseia-se em identificar umas poucas prioridades centrais e transformá-las em poderosas alavancas. Um exemplo de que como os hábitos são poderosos e podem gerar excelentes resultados, ocorreu durante as Olimpíadas de Pequim (China) em 2008, quando Phelps, depois de dar pulinhos (como sempre fazia) e balançar os braços 3 vezes (como sempre fazia), pulou na água e imediatamente, percebeu que alguma coisa estava errada. Havia umidade nos seus óculos, e enquanto dava suas braçadas, a situação foi piorando, até que, na volta final, seus óculos estavam totalmente cheios. Phelps não conseguia enxergar nada. Não via a linha no fundo da piscina, não via o “T” preto mostrando a parede que se aproximava. Enfim, para a maior parte dos nadadores, perder a visão no meio de uma final de Olimpíada seria motivo de pânico, mas Phelps estava calmo. Para ele, a infiltração nos óculos era um pequeno problema, para o qual ele estava preparado. Seu técnico e mentor Bob Bowman fez Phelps nadar numa piscina no escuro, porque sabia que ele precisava estar pronto para qualquer coisa, e com esse treinamento, Phelps ensaiava mentalmente como reagiria em uma situação dessas. Então, quando começou a última volta, Phelps estimou quantas braçadas a reta final exigiria, aumentou seu esforço, como era de costume para superar os adversários neste ponto, e quando tirou os óculos e olhou para o placar, estava escrito “recorde mundial” ao lado do seu nome. Em Pequim, ele venceu todas as oito provas que disputou, esta (com os óculos embaçados) tinha sido apenas mais uma. Depois da prova, um repórter perguntou qual fora a sensação de nadar cego. “Foi como eu imaginei que fosse”, disse Phelps. O treinamento do nadador Michael Phelps é extremamente intenso. Nele, existem outros exercícios mentais que também o ajudam a ter outras vantagens. Phelps ensaia mentalmente durante duas horas por dia na piscina. Phelps chega a se imaginar até da perspectiva de um espectador na arquibancada. "Se você pode formar uma imagem mental forte e visualizar-se fazendo aquilo, seu cérebro vai imediatamente encontrar maneiras de chegar lá", diz Bowman. Para Phelps, foi uma vitória a mais numa vida cheia de pequenas vitórias. Para o autor do livro, “Uma vez que uma pequena vitória foi conquistada, forças que favorecem outra pequena vitória são postas em movimento. Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance”. O que seu treinador descobriu, foi que era melhor se concentrar nos pequenos momentos de sucesso e transformá-los em gatilhos mentais, fazendo deles uma rotina. Michael faz uma série de coisas antes de cada prova que são projetadas para dar a ele um senso de vitória, e que ele nem percebe, porque faz de forma natural. E uma vez que seu técnico estabeleceu essas rotinas centrais na vida de Phelps, todos os outros hábitos — sua dieta e seu treinamento, as rotinas de alongamento e de sono — pareceram se ajustar por si próprios. “Eu fui capaz de trabalhar muito, de fazer bons tempos, fiz sacrifícios e acabei recompensado, e não tem nada melhor que isso” - disse o nadador ao SporTV em uma de suas últimas entrevistas como atleta olímpico. Phelps se despede das piscinas e nos deixa como aprendizado que nossas aptidões são importantes, mas são os hábitos que modelam nossa vida. Praticamente tudo o que fazemos, pode ser associado a rotinas que foram estabelecidas aos poucos, muitas vezes sem percebermos, e se quisermos mudar, podemos criar novos hábitos de maneira consciente, com resultados surpreendentes.

Namastê!

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