Quando Menos é Mais


menos é mais

A geração que nasceu nos anos 60 e 70, cresceu achando que valores como prosperar através da posse de bens de consumo fazia parte do crescimento individual. Ter a casa própria, o carro e uma série de bens significava sucesso na vida. Filhotes destes valores, fomos ensinados que consumir é sinal de que estamos inseridos no contexto social e, principalmente, aceitos pelo grupo de referência que nos acolhe no meio que vivemos. E, por mais incrível que pareça, as mulheres são, em geral, as que mais consomem, com influência decisiva sobre os produtos e serviços escolhidos pelos membros da família.Mas quando os ítens de consumo servem a elas mesmas é que, usualmente, perdem a cabeça e o senso crítico. Poucas resistem a uma super liquidação de roupas ou itens de moda arrasadores. Difícil é resistir à tentação de comprar aquele batonzinho mate lançado recentemente ou de incrementar o guarda-roupa sem jamais cair na tentação de usar o parcelamento do cartão de crédito para satisfazer desejos de consumo. Agora, entretanto, com a inserção da mais recente onda comportamental, o alto consumo impulsivo está old fashion. Ser fashion é consumir menos e olhar com mais cuidado na hora de adquirir qualquer produto ou serviço. A tendência é Lowsumerism e vai na direção oposta ao consumerism, na contramão do acúmulo. Lowsumerism pede parcimônia em consumo, pois o planeta anda adoecendo com nossos abusos coletivos. Abusamos ao escassearmos recursos de um lado e ao exagerarmos nos excessos, por outro. A tendência Lowsumerism é um grito de socorro. Um pedido de fraternidade e equilíbrio. Ensina a olhar com humanidade as nossas diferenças, com mais profundidade sobre como escolher o que consumimos e mais generosidade para compartilharmos. Esta nova onda ensina a aguçar o olhar na hora de qualquer aquisição: seria mesmo um bom negócio para todos? Sabe aquele blusinha arrasadora que custa uma pechincha? Pode ter por trás de seu barato uma serie de procedimentos questionáveis em sua cadeia produtiva, inclusive trabalho infantil ou escravo. Lowsumerism diz que ninguém precisa explorar ninguém pra ganhar. Pelo contrário, ganha quem compartilha ou disponibiliza os acúmulos esquecidos em algum canto da vida. Estes acúmulos podem ser materiais ou de conhecimentos. Já tem muita empresa e muita gente alinhada a esta mega revolução do comportamento, ganhando dinheiro e parceiros, quase sempre com pensamento em rede de relacionamento e compartilhamento. Airbnb, Uber, Netflix, Spotify são alguns exemplos que mostram uma nova lógica de consumo mais justa e democrática. A tendência é não mais precisar ter para ser. Um desafio e tanto para todo profissional de marketing.

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